Ryanair impediu passageiro invisual de embarcar para Londres acompanhado pelo seu cão guia

Samuel Natário de 32 anos perdeu a visão há seis anos por causa de um quisto que lhe apareceu no cérebro. Aprendeu a viver com quatro sentidos: trabalha na Volkswagen Autoeuropa, está a tirar um curso de Serviço Social no ISCTE e faz tudo em casa.

É independente desde que acompanhado por Yolo, o seu cão-guia que foi treinado nos Estados Unidos. Sem ele perde a autonomia, mas mesmo assim, no mês passado, foi proibido de viajar para Londres por estar acompanhado pelo seu companheiro de quatro patas.

A viagem Lisboa-Londres estava marcada para as seis horas de 17 de Outubro.

Avisou a Ryanair atempadamente sobre a sua condição e entregou todos os documentos previstos pela companhia aérea para permitir o embarque de cães-guia nos aviões, como costuma fazer nesta circunstância.

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Mas chegada a altura do embarque, os funcionários da empresa não estavam informados sobre a presença de Yolo e não permitiram que Samuel utilizasse o seu bilhete de avião.

«Perdi o investimento que fiz na viagem e não cumpri o objectivo da mesma. Porquê? Pela falta de informação e profissionalismo dos colaboradores da Ryanair», explicou ao DN por e-mail Samuel Natário.

Contactada pelo DN, a companhia aérea afirmou que colocou o passageiro num dos voos seguintes: «Lamentamos sinceramente o transtorno causado e remarcámos este passageiro no próximo voo disponível para Londres Stansted no próprio dia (sem qualquer custo)».

O gabinete de comunicação da Ryanair declarou ainda que está a averiguar este caso e a assegurar-se «de que tal não voltará a ocorrer».

«O cão-guia não é um cão de companhia ou um acessório dispensável. O cão-guia é fundamental para a mobilidade e autonomia do cidadão com cegueira total, como é o meu caso. Por isso existe legislação e normas internacionais que regulam e protegem os direitos do cidadão portador de deficiência ou incapacidade», lamenta Samuel. E questiona: «Que agentes económicos são estes que não investem na formação dos seus colaboradores para um serviço orientado para os clientes e que garanta a acessibilidade universal? Que entidades auditam e avaliam o cumprimento dos direitos dos cidadãos nestas organizações?».

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No site da Ryanair pode ler-se que a companhia aérea transporta passageiros com deficiências visuais acompanhados pelos seus cães-guias para todos os destinos à excepção de Marrocos e de Israel. No caso dos voos para o Reino Unido e para a república da Irlanda é necessário apresentar um passaporte válido do animal ou um certificado de saúde veterinário oficial. O cão tem ainda de estar filiado numa das seguintes instituições: Federação Internacional de Cães Guia, Cães de Assistência do Reino Unido ou Cães de Assistência Internacional. Segundo Samuel, Yolo cumpria todos estes requisitos, o que não impediu cão e dono de ficarem em terra naquela manhã.